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Aniversário de São Paulo e a imigração japonesa

Da arte à saúde, os japoneses influenciaram a cultura e a história da cidade de São Paulo

Em 1908 aportou no porto de Santos, São Paulo, o Kasato Maru, primeiro navio com imigrantes japoneses. A vinda desses imigrantes aconteceu por dois motivos. Primeiro, porque o Brasil necessitava de mão de obra para trabalhar nas plantações de café, especialmente no estado de São Paulo. Por outro lado, o Japão necessitava aliviar o alto índice demográfico do país, que fazia com que o desemprego fosse alto, pois o governo japonês não conseguia suprir a demanda de empregos. Portanto, foi selado um acordo entre os países. 

Nos primeiros anos chegaram cerca de 15 mil pessoas. Até 1940, eram 164 mil japoneses. E o auge da imigração aconteceu entre os anos 1920 e 1930, quando o foco era trabalhar no cultivo de arroz, chá e morango. Com o tempo, os imigrantes se estabeleceram no país e  até hoje acrescentam muitos aspectos de sua cultura à rotina brasileira. Atualmente, cerca de 2 milhões de nikkeis vivem no Brasil, representando a maior população de origem japonesa fora do Japão.

A cidade de São Paulo é repleta de aspectos culturais que foram trazidos pelos japoneses durante e após este período. Por isso, no aniversário de São Paulo, vamos relembrar algumas influências nipônicas na cultura paulistana. 

 

Influência japonesa na cultura paulistana

A maioria dos japoneses trabalhava no interior de São Paulo, com o fim dos contratos de trabalho nas fazendas, a capital paulista foi a mais procurada por eles. Por volta de 1912, na Rua Conde de Sarzedas, na Liberdade, foi estabelecida a "rua dos japoneses". Nos arredores da rua, os imigrantes começaram a abrir comércios, especialmente culinários, como fábrica de tofu e manju. Hoje, o bairro da Liberdade é repleto de opções orientais, com lojas, bares, restaurantes e galerias e é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade. 

À época, foram iniciadas as escolas japonesas para manter a educação que eles estavam habituados. Em 1924, foi inaugurada a pensão Tokiwa, voltada para os nikkeis, e seu dono começou a vender o famoso molho de soja, o Shoyu. Em 1948, foi eleito o primeiro vereador nikkei em São Paulo, Yukishige Tamura. 

Em 1953, foi inaugurada na Rua Galvão Bueno, uma das principais do bairro da Liberdade, um prédio com diversos comércios e cinema. Foi ao redor dele que a comunidade japonesa se expandiu ainda mais. 

Ainda no final da década de 1950, um grupo de 32 representantes da colônia japonesa se uniu para receber e acolher os imigrantes que desembarcavam no Brasil depois da Segunda Guerra Mundial. Assim, teve início a Associação de Assistência aos Imigrantes Japoneses, que tinha como objetivo  desempenhar um papel fundamental no suporte e cuidado da população oriental em São Paulo e atuava como um apoio para os imigrantes japoneses, fornecendo assistência social, cultural e educacional. A Associação era responsável por facilitar a integração dos imigrantes, bem como preservar e promover a cultura e os valores japoneses no Brasil. 

Nos anos que se seguiram, para cuidar também da saúde dessa população, a Associação passou a oferecer assistência médica. E em 1960, assumiu as atividades do Junkai, uma assistência móvel voltada para imigrantes que sofriam de doenças como a malária e que é mantida até hoje. Em abril de 1962, criou o Ambulatório Médico para ampliar ainda mais o acesso à saúde e os serviços oferecidos para a comunidade. E em 1972, a Associação passou a se chamar Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo, também conhecida por Enkyo.

Atualmente o grupo Enkyo trabalha em dois pilares principais: o de assistência social - no qual mantém casas de repouso e serviços à comunidade, e o pilar em assistência à saúde - no qual o Hospital Nipo-Brasileiro faz parte. O Hospital Nipo-Brasileiro, localizado no Parque Novo Mundo, foi construído em 1988 para atender, principalmente, a comunidade japonesa no Brasil. Sua inauguração ocorreu no aniversário de 80 anos da imigração japonesa. Ao oferecer serviços médicos de qualidade e especialidades diversas, o hospital atendeu às necessidades específicas da comunidade, proporcionando um ambiente familiar e acolhedor para os pacientes. 

Além disso, a presença de profissionais de saúde fluentes em japonês e familiarizados com a cultura facilitou a comunicação e o entendimento entre médicos e pacientes. Com isso, o Hospital Nipo-Brasileiro não apenas atendeu às demandas médicas da população oriental na época, mas também desempenhou um papel importante na preservação da identidade cultural e no bem-estar geral da comunidade. Hoje, o HNipo conta com 37 especialidades, entre clínicas e cirúrgicas, também conta com área infantil, pronto-atendimento, tratamento, diagnóstico, unidades externas de atendimento e o Centro Médico e Diagnóstico, localizado no bairro da Liberdade para realização de exames, consultas e check-ups.

Já no ano de 1973, o último navio que transportava imigrantes japoneses chegou ao país, o Nippon Maru. Em 1978, a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo) inaugurou o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, com o maior acervo da história dos nikkeis no país. O museu ainda pode ser visitado no bairro da Liberdade e também pelo tour virtual disponível no site da instituição.

Aspectos culturais no cotidiano paulistano

Além destes lugares específicos, no nosso dia a dia podemos encontrar influências japonesas na cultura. Começando por esportes como aikidô, karatê, jiu-jitsu, judô e sumô. Hoje, o judô tem cerca de 2 milhões de praticantes em todo o território nacional. 

As religiões budismo e xintoísmo também foram trazidas pelos japoneses. O Censo de 2010 revelou que apenas 243,9 mil pessoas, em um universo de 190,7 milhões, se declararam budistas. Apesar de não serem religiões tão seguidas pelos brasileiros, existe uma admiração por elas, pois transmitem ideias de disciplina, tradição e perseverança. 

Na arte, os japoneses introduziram o uso do bambu na confecção de artesanato, cartunistas nipônicos trouxeram o estilo mangá para os quadrinhos nacionais e fizeram com que a estética japonesa permanecesse no país e pintores nipo-brasileiros, como Tikashi Fukushima (1920-2001) foram pioneiros no Brasil do movimento abstracionista, e foi seguido por outros grandes nomes como a japonesa naturalizada brasileira Tomie Ohtake. Na moda, as sandálias brasileiras de dedo, como os chinelos, foram inspiradas nas sandálias de criação japonesa "zori", feitas originalmente de palha de arroz.

Já na culinária, são inúmeras as influências. Começando pelo hábito de consumir hortaliças nas refeições que foi um costume herdado dos imigrantes. Alguns alimentos foram trazidos pelos japoneses ao países, como caqui doce, maçã Fuji, pêssego e morango. Os chás também podem ser atribuídos aos imigrantes e o plantio de chá preto teve início em 1935. As famílias japonesas construíram Casas de Chá para organizar o plantio, a colheita e a comercialização das mudas de chá. 

Sobre o HNipo

O Hospital Nipo-Brasileiro, localizado no Parque Novo Mundo, foi construído em 1988 para atender, principalmente, a comunidade oriental no Brasil. Sua inauguração ocorreu no aniversário de 80 anos da imigração japonesa. Atualmente o hospital conta com mais de 240 leitos, entre apartamentos, enfermaria, UTI (neonatal e coronariana), além do Centro Cirúrgico e de Pronto Atendimento 24h, recebendo pacientes de todas as etnias e regiões da cidade.

Última modificação emQuinta, 18 Janeiro 2024 12:46

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